Estatísticas sobre tecnologia

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Por Will Rosa
27/02/2018

Há um dito popular que diz: “números não mentem, mas mentirosos inventam números”. O livro de 1954 de Darrell Huff “Como Mentir com Estatística” ensina truques simples para manipular a percepção das pessoas usando números. Em tempos de notícias falsas, a obra é um guia útil para identificar valores distorcidos. É uma das leituras favoritas de Bill Gates.

A estatística é importante para sintetizar de forma quantitativa o grande volume de dados produzido pelo mundo. Empresas de tecnologia medem tudo; o modelo de cobrança “pay as you go” adotado por provedores de serviço de computação em nuvem depende da coleta de métricas de uso de recursos de processamento, armazenamento e rede, por exemplo.

Se você está começando um projeto de tecnologia e precisa entender o ambiente onde ele está inserido para justificar certas escolhas, onde encontrar números confiáveis então?

Durante a faculdade, os professores sempre exigiam as fontes de informação em que baseavamos nossos trabalhos. Mesmo sendo um setor de mudanças rápidas, é possível obter pesquisas e relatórios relevantes para observar tendências baseadas em fatos na tecnologia.

Technology Radar” da ThoughtWorks analisa técnicas, plataformas, ferramentas e linguagens & frameworks, indicando se vale a pena adotar ou não determinado item analisado.

O relatório “Internet Trends” da KPCB, umas das maiores firmas de capital de risco para tecnologia, oferece uma visão da adoção da Internet no mundo. Na apresentação de 2017, por exemplo, verifica-se que 68% dos usuários pesquisados reagem de forma positiva a anúncios em formato de vídeo que oferecem alguma recompensa (slide nº 26). Que tal usar essa estratégia no seu aplicativo?

As publicações do Cetic.br fornecem um panorâma da Internet no Brasil. A edição de 2016 da pesquisa TIC Domicílios destaca que mais de 40% dos usuários entrevistados acessam à Internet exclusivamente pelo celular. Tá aí uma boa razão para tornar seu site responsivo, não?

O portal “Think with Google” está cheio de dados e insights para marcas e agências. Em 2017, por exemplo, as buscas usando o termo “perto de mim” cresceram 75%, indicando que os usuários estão incorporando a geolocalização em seu comportamento de busca. Por que não enriquecer com metadados a página do seu negócio?

A série de estudos com executivos conduzida pela IBM e o site da consultoria McKinsey têm bastante conteúdo sobre gestão e estratégia para negócios digitais. A 19ª edição do estudo da IBM mostra que 34% das organizações pesquisadas estão investindo em inteligência artificial para resolver problemas complexos ou remodelar partes de seus negócios. Uma pesquisa da McKinsey revela que 80% das empresas consultadas planejam ter 10% ou mais de sua carga de trabalho rodando na nuvem pública ou dobrar seu uso da nuvem pública nos próximos 3 anos. Parece promissor estudar sobre IA e cloud computing, hein?

Por fim, um contraponto é necessário: “você não é o Google”. O professor de ciência da computação Ozan Onay chama a atenção daqueles que seguem cegamente as práticas anunciadas por grandes empresas de tecnologia: a escala dos problemas enfrentados pelo Facebook, Amazon ou LinkedIn é bem maior que aquela dos problemas enfrentados pelas empresas onde trabalhamos. Por isso, entender o problema que precisamos resolver antes de usar uma solução de terceiro é crucial. “O que as estatísticas revelam é sugestivo, mas o que escondem é essencial”.

Quais são as fontes de informação que você recomenda?

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